Novo biometano reduz emissões de CO2 da navegação global
- Redes Rebia
- 8 dic 2022
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Parceria entre o Grupo ENGIE e CMA CGM disponibilizará combustível capaz de eliminar 67% das emissões do transporte marítimo

O transporte marítimo responde por 2% das emissões globais de dióxido de carbono (CO2), um dos principais gases responsáveis pelo aquecimento global. Em 2018, 170 países reunidos na Organização Marítima Internacional (IMO) da ONU acordaram em reduzir as emissões pela metade até 2050. É um grande desafio, principalmente para a navegação de longo curso, na qual os navios utilizam basicamente o bunker, um derivado de petróleo, como combustível.
Um acordo internacional firmado em junho deste ano, entre a companhia de navegação e logística CMA CGM e a ENGIE, gera novas perspectivas para a indústria naval alcançar sua meta global de descarbonização. O acordo prevê a construção da primeira fábrica de biometano de segunda geração do mundo.
O biometano é um gás produzido a partir de matéria orgânica, principalmente resíduos agroindustriais urbanos. Purificado, tem as mesmas características do gás natural fóssil derivado de petróleo. O biometano de segunda geração é obtido com biomassa seca, como madeira, palha ou resíduos celulósicos da indústria de papel. O desenvolvimento do biometano de segunda geração é resultado de um trabalho de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) lançado em 2010 — o Projeto Gaya, que reúne a ENGIE e mais 10 parceiros industriais e acadêmicos europeus em Lyon, na França.

O biometano de segunda geração é capaz de reduzir em até 67% as emissões de gases de efeito estufa (GEE) na atmosfera, quando comparado com o bunker de baixo teor de enxofre (em inglês, Very Low Sulphur Fuel Oil ou VLSFO), que atende à atual regulamentação da IMO quando se analisa o ciclo de vida completo dos dois combustíveis, da produção ao impulso da embarcação.
Atualmente, a CMA CGM já conta com uma tecnologia de motores que utilizam gás natural liquefeito (GNL) embarcada em uma frota de 30 navios, número que chegará a 77 até o final de 2026. Os motores impulsionados por GNL também são adequados para usar o BioGNL (biometano liquefeito), que será produzido no projeto Salamander.
A meta de transição energética anunciada pelo grupo CMA CGM prevê alcançar a condição de companhia carbono zero líquido até 2050. Entre as ações da companhia, está a criação de um fundo especial voltado à Energia, que conta com um orçamento de US$ 1,5 bilhão a ser executado em cinco anos. O objetivo desse fundo é apoiar iniciativas industriais de novos combustíveis.

“Para atingir a meta de carbono líquido zero até 2050, o Grupo CMA CGM busca formar parcerias industriais sólidas, lideradas por esta iniciativa com a ENGIE. Salamander é o primeiro projeto industrial a surgir da parceria, um piloto avançado que ajuda a desenvolver o setor de gás renovável, de acordo com as metas de independência energética e a transição para a economia de baixo carbono, estabelecidas pela Comissão Europeia no plano RepowerEU”, afirma Christine Cabau Woehrel, vice-presidente executiva de ativos e operações da CMA CGM. O RepowerEU é o plano da Comissão Europeia, elaborado após a invasão da Ucrânia pela Rússia, que tem o objetivo de tornar a Europa independente dos combustíveis fósseis russos antes de 2030.
Para Edouard Sauvage, vice-presidente executivo de Infraestrutura da ENGIE, a escala de produção prevista no projeto Salamander reflete as ambições da companhia no desenvolvimento acelerado da produção de gás renovável. “A ENGIE está inovando, com um novo método de produção de biometano de segunda geração, usando resíduos de madeira e sustentado por uma tecnologia de produção de energia envolvendo processo de pirogasificação”, afirma.
A pirogasificação também é uma tecnologia inovadora, capaz de transformar a energia contida na biomassa em calor ou eletricidade. Para isso, faz a conversão a quente de moléculas orgânicas complexas em moléculas mais simples, utilizando o processo de transformação físico-químico denominado como pirólise. Nesse processo, a matéria orgânica é decomposta após ser submetida a altas temperaturas em um ambiente desprovido de oxigênio. “A parceria com a CMA CGM é um importante marco em nossos esforços, para promover as energias do futuro”, diz Sauvage.
Por Engie
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